Um bom leitor adquire o hábito quando criança e tende a ser um indivíduo mais crítico em relação aos demais
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| Menino mostra que apesar de pequeno domina a língua. Não só a portuguesa, mas a inglesa também. Foto: Letícia Schinestsck |
O brasileiro lê pouco, as pesquisas comprovam isso. Basta observar os dados apontados pelo Instituto Pró-Livro na última edição de Retratos da Leitura no Brasil, que busca compreender e apontar o perfil do leitor brasileiro. Por isso, se incentivado desde cedo, o hábito de ler pode trazer reflexos positivos na vida adulta e, assim, contribuir para reverter estas estatísticas e formar leitores mais críticos e sensatos.
Cristina Rosa, doutora em Educação, pós-doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora da Faculdade de Educação na Universidade Federal de Pelotas (FaE/UFPel), reforça o que foi dito. Para ela, hoje em dia muitas crianças não possuem o hábito de ler e não são incentivadas desde pequenos pelos pais, por estes acreditarem que é trabalho da escola o estímulo e exercício da leitura para os pequenos. Entretanto, a leitura é o caminho mais correto para formar um bom leitor.
Ela usa o exemplo do seu próprio filho, hoje com 17 anos, mas na época com cincomeses de idade. Quando ele já estava suficientemente firme, seguro e capaz de se manter com a coluna erguida ela o sentou próximo ao corpo e na frente dos dois nada menos do que um livro. O primeiro presente que ela deu para o filho? O livro O Menino Maluquinho, de Ziraldo. Mesmo quando não dominava a leitura, o filho tinha acesso ao livro, liberdade de tocá-lo, senti-lo e folhear suas páginas descobrindo o mundo com as próprias mãos. Hoje o garoto é fissurado por literatura e até acha graça quando o professor aparece com leituras “pesadas” de cem páginas.
Cristina desenvolveu uma pesquisa para provar aos alunos que os aspectos trabalhados teoricamente em aula se confirmam na prática e que atualmente é de extrema importância que os futuros educadores saibam das responsabilidades de formar leitores desde cedo. Veja alguns dados apontados na pesquisa
Ao mesmo tempo em que fornece pistas e comprova as teorias trabalhadas em sala de aula, o projeto dá um retorno para a escola. É um processo de encantamento para os adultos, onde os profissionais levam uma mala com diversos livros e apresentam lados positivos e negativos do que está sendo feito. Uma palestra/oficina é realizada como agradecimento do espaço disponibilizado pela instituição. A leitura com crianças é fundamental. “Um professor não pode entrar em sala de aula sem um livro. É como se fosse um dentista sem luvas”, diz Cristina. Cristina reconhece a qualidade dos ilustradores, mas admite que um texto sem imagens faz com que a criança seja obrigada a trabalhar a imaginação. Em contrapartida, textos bons não deixam de ser bons, e quando é assim a ilustração aparece como um bônus. “O livro é uma arte que ensina a imaginação”.
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