sábado, 25 de agosto de 2012

Bra-Pel 350 online

Clássico é transmitido em tempo real pela internet pela primeira vez



Clássico terminou empatado. Brasil 2x2 Pelotas
Foto: Moizes Vasconcellos

Na frente do estádio Boca do Lobo muitos torcedores não conseguiram entrar. Se fosse como nos outros jogos, o clássico Bra-Pel 350 poderia acabar ali para a maioria que não passou dos portões. Só que desta vez, áureo-cerúleos e rubro-negros tiveram mais uma alternativa: assistir em uma transmissão ao vivo pela Internet. 

O primeiro Bra-Pel a ser transmitido em tempo real pela web surgiu da parceria entre Rede Esportiva (@redeesportiva) e jornal Diário Popular(@diariopopularRS). Depois de ganhar consentimento dos presidentes do Brasil e do Pelotas, e acertar com o presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Novelletto, que não haveria divulgação para que não interferisse na venda dos ingressos, a proposta tomou forma. "Mesmo assim o efeito viral depois que a hashtag #Brapelaovivo foi colocada no Twitter foi incrível", conta o coordenador da Web do Diário Popular, Giacomo Bertinetti, ao se referir ao sigilo antes da transmissão.

Uma hora antes de iniciar o jogo já haviam 900 pessoas online aguardando. De acordo com Bertinetti, durante a transmissão, o site do jornal chegou a ter 25 mil acessos, cinco mil a mais do que o que costuma registrar. Também calculou-se uma média de 1.200 computadores conectados à transmissão. Isso tudo gerou ao site 5.462 visualizações apenas no link que indicava o Bra-Pel. Já a audiência do Rede Esportiva chegou a um recorde de acessos, mais de cinco mil visitas.

Através do site do jornal era possível acompanhar o minuto a minuto, que logo no início da partida atingiu o limite de visualizações e impediu que outros usuários conseguissem acompanhar o desdobramento do jogo. Mesmo assim havia o Twitter tanto do jornal como do Rede Esportiva e o ponto alto, a narração do clássico por Bertinetti, Vinícius Guerreiro e Sérgio Cabral. A coordenação técnica era de Maurício Mesquita e as reportagens que levavam a emoção do jogo ficaram com o jornalista Renan Silva. "Passamos todos os desafios das transmissões ao vivo. E foi sensacional!", lembra Bertinetti.
 
E foi assim que, mesmo com empate, torcedores de todas as partes do mundo tiveram a oportunidade de assistir ao jogo de uma maneira nova, mas não menos vibrante. Foi um clássico que ficou para a história e na memória, que poderá ser resgatada sempre, com apenas um click.


Veja os gols do Bra-Pel 350 transmitido ao vivo pela Rede Esportiva e Diário Popular (22/08/12)
Brasil 2x2 Pelotas
 
 



Leitura é bom desde cedo

Um bom leitor adquire o hábito quando criança e tende a ser um indivíduo mais crítico em relação aos demais
Menino mostra que apesar de pequeno domina a língua. Não só a portuguesa, mas a inglesa também.
Foto: Letícia Schinestsck


O brasileiro lê pouco, as pesquisas comprovam isso. Basta observar os dados apontados pelo Instituto Pró-Livro na última edição de Retratos da Leitura no Brasil, que busca compreender e apontar o perfil do leitor brasileiro. Por isso, se incentivado desde cedo, o hábito de ler pode trazer reflexos positivos na vida adulta e, assim, contribuir para reverter estas estatísticas e formar leitores mais críticos e sensatos.

Cristina Rosa, doutora em Educação, pós-doutora em Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e professora da Faculdade de Educação na Universidade Federal de Pelotas (FaE/UFPel), reforça o que foi dito. Para ela, hoje em dia muitas crianças não possuem o hábito de ler e não são incentivadas desde pequenos pelos pais, por estes acreditarem que é trabalho da escola o estímulo e exercício da leitura para os pequenos. Entretanto, a leitura é o caminho mais correto para formar um bom leitor.

Ela usa o exemplo do seu próprio filho, hoje com 17 anos, mas na época com cincomeses de idade. Quando ele já estava suficientemente firme, seguro e capaz de se manter com a coluna erguida ela o sentou próximo ao corpo e na frente dos dois nada menos do que um livro. O primeiro presente que ela deu para o filho? O livro O Menino Maluquinho, de Ziraldo. Mesmo quando não dominava a leitura, o filho tinha acesso ao livro, liberdade de tocá-lo, senti-lo e folhear suas páginas descobrindo o mundo com as próprias mãos. Hoje o garoto é fissurado por literatura e até acha graça quando o professor aparece com leituras “pesadas” de cem páginas.

Cristina desenvolveu uma pesquisa para provar aos alunos que os aspectos trabalhados teoricamente em aula se confirmam na prática e que atualmente é de extrema importância que os futuros educadores saibam das responsabilidades de formar leitores desde cedo. Veja alguns dados apontados na pesquisa

Ao mesmo tempo em que fornece pistas e comprova as teorias trabalhadas em sala de aula, o projeto dá um retorno para a escola. É um processo de encantamento para os adultos, onde os profissionais levam uma mala com diversos livros e apresentam lados positivos e negativos do que está sendo feito. Uma palestra/oficina é realizada como agradecimento do espaço disponibilizado pela instituição. A leitura com crianças é fundamental. “Um professor não pode entrar em sala de aula sem um livro. É como se fosse um dentista sem luvas”, diz Cristina. Cristina reconhece a qualidade dos ilustradores, mas admite que um texto sem imagens faz com que a criança seja obrigada a trabalhar a imaginação. Em contrapartida, textos bons não deixam de ser bons, e quando é assim a ilustração aparece como um bônus. “O livro é uma arte que ensina a imaginação”.


Conheça algumas iniciativas de estímulo à leitura em Pelotas
Dicas para incentivar seu filho a ler
Sugestões de literatura infantil

Desperte seu filho para a leitura

Dicas da professora Cristina Rosa para incentivar seu filho a ler

 
Foto: Letícia Schinestsck

 

Pequenas ações que podem fazer a diferença:

 
1– Leia para seu filho, não deixe isto para a professora ou a babá fazerem. Nem que seja uma vez durante a semana. Transforme o ato de ler em um momento de convivência;
2- Leve as crianças à acervos de leitura infantil. Esteja disposto a inserir seu filho no universo da literatura;
3- Cobre da escola a leitura literária;
4- Exija as listas de livros para a escola, saiba o material que seu filho acessa em sala de aula;
5–Leitura não é castigo. Não use frases do tipo “Vá para o seu quarto ler pois não se comportou”. Torne o ato de ler prazeroso.
 
 

Sugestões de literatura infantil

Indicações de diferentes obras para cada criança

Livros em braile a quem tem baixa visão

autor: Claudia Cotes

autor: Elizete Lisboa

autor: Elizete Lisboa
Menino descobre as páginas de um livro na 39º Feira do Livro de Pelotas.
Foto: Letícia Schinestsck

 Obras para ler até os 14 anos

Autor: Ruth Rocha

Autor: João Guimarães Rosa

Autor: Sylvia Orthof

Autor: Mário Quintana

Autor: Cecília Meireles

Autor: Erico Verissimo

Autor: Monteiro Lobato

Autor: Manuel Bandeira
Foto: Letícia Schinestsck

Cinco textos sobre literatura africana

autor: Valeria Belem

autor: Gilberto Freyre

autor: Ana Maria Machado

autor: Sergio Guimarães

autor: Aroldo Macedo
 

Leitura infantil em Pelotas

Algumas iniciativas de estímulo à leitura existentes na cidade

Foto: Letícia Schinestsck

 

 

Para incentivar a leitura desde cedo, Pelotas possui algumas iniciativas. A gerente de Educação Infantil da Secretaria Municipal de Educação (SME), Jussara Cordeiro, conta que a partir de estímulos a ideia é fazer com que as crianças adquiram o hábito de ler desde cedo, para chegarem na adolescência com o gosto pelo livro já consolidado. Jussara explica que todas as 27 escolas municipais possuem acesso ao livro infantil. A SME disponibiliza materiais com historinhas, inclusive para bebês. Depois de qualificada a leitura,é possível que os próprios educadores façam atividades, projetos e trabalhos ligado às histórias.

 
 
 
 
 



Biblioteca Itinerante
A SME possui um ônibus adaptado exclusivamente para crianças. A partir de um agendamento, o veículo vai até a escola junto a uma profissional a secretaria que conta histórias infantis. Além da itinerante, somente para crianças, a SME mantém uma biblioteca aberta à comunidade e com uma Brinquedoteca destinada aos pequenos leitores. A biblioteca fica na Andrade Neves, 2.282, ao lado da central de vagas.
 
Hora do Conto
Todos os sábados a Livraria Vanguarda realiza a Hora do Conto na Vanguardinha, às 15h. As escolas podem igar e marcar a atividade também. Atualmente, quem lê as historinhas é Cibele Fernandes, funcionária da livraria. Ela interpreta e caracteriza os personagens. “Mesmo se tiver apenas uma criança tem Hora do Conto. É sagrado”, diz. O gerente da Vanguarda, André Menaré, explica que foi preciso abrir um espaço exclusivo para as crianças, devido à intensa procura por livros da literatura infantil. “Havia uma espécie de tabu, onde só se entrava em uma livraria para comprar. Hoje este tabu está sendo quebrado, as crianças e os pais entram na loja só para olhar. É uma espécie de biblioteca, só não dá pra levar para casa”, explica.
Também parceiro da Vanguardinha, o curso de Tecnologia em Gestão de Turismo da Universidade Católica de Pelotas (UCPel) possui o projeto Hora do Conto, mas com o objetivo de incentivar não só a leitura, mas o conhecimento da cidade, para se apropriarem da história de Pelotas. É um projeto piloto que atualmente acontece no Quiosque Nelson Nobre, com agendamento pelas escolas.
 
Projeto Leitura na Escola (PET-Educação)
A proposta do Grupo Pet se trata de qualificar futuros profissionais a partir de pesquisa, do ensino e da extensão. Na Faculdade de Educação da UFPel, duas professoras como tutoras e 12 alunos visitam as escolas públicas a fim de encampar a ideia pelo projeto “Leitura na Escola”. Isto acontece em parceria e convênio com a Secretaria Municipal de Educação. É o momento em que o futuro educador exerce a função, quando seleciona o material para a leitura e quando interagem com as crianças através da leitura oral. A oralidade é capaz de despertar o hábito de ouvir e de se concentrar em uma narrativa, o que fará diferença mais tarde.
 

Incentivo à leitura infantil na sala de aula

Alguns resultados apontados na pesquisa

Foto: Letícia Schinestsck
Quatro escolas públicas da zona urbana e rural de Pelotas foram escolhidas – mais duas instituições serão acrescentadas no trabalho ainda neste ano – para investigar como se dá o incentivo à leitura infantil na sala de aula. “A primeira resposta é unânime, todos dizem que leem para as crianças”, conta. Mas a resposta acaba ficando sem muita sustentação. Um índice interessante também revelado com a pesquisa aponta que as crianças que mais leem bem atualmente são religiosas. “Pois vão aos cultos, missas, são incentivados pelos pais”, explica Cristina.

  • Há uma indiferenciação entre a leitura comum e a literária. O material vai desde bula, panfleto, jornal, mas não literatura
  • Os professores não têm definido os autores que irão trabalhar em sala de aula. Não conhecem autores, títulos e conteúdos adequados para a idade e o ano escolar em que as crianças estão
  • Não planejam seus eventos de leitura, pegam o livro no momento da aula. Não preparam a atividade como parte da sala, mas como anexo. Não é uma prática da rotina escolar e pode aparecer como prêmio “Se calar eu leio”
  • Não registram o que leram. Não usam o Diário de Classe para planejar o que fazer com as crianças, horários das leituras, quais livros usou, com que propósito etc. Quando é registrado geralmente aparece como ‘hora do conto’, ‘hora da historinha’
  • Leem em voz alta para as crianças apenas no 1º ano da escola. Depois, com a desculpa de que já sabem ler, abandonam a atividade e a leitura é individual e silenciosa. A partir do 2° ano não é exercitada a leitura oral;
Leitura é bom desde cedo
Conheça algumas iniciativas de estímulo à leitura em Pelotas
Dicas para incentivar seu filho a ler
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