quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Candidatos à lista tríplice oficializam candidatura no Liceu


Mauro Del Pino, Denise Gigante e Gílson Porciúncula assinaram a lista e confirmaram a candidatura para reitor da UFPel



Candidatos à lista tríplice Denise Gigante, Mauro Del Pino e Gílson Porciúncula em frente ao prédio do Liceu
Foto: Moizes Vasconcellos 


 Agora são os últimos passos. No último dia 26, o Conselho Universitário da Universidade Federal de Pelotas (Consun/UFPel) aprovou o reconhecimento do resultado da consulta informal à comunidade acadêmica realizada entre maio e junho. Foram 39 votos favoráveis, 21 contrários e três abstenções. A escolha do reitor, vice-reitor e membros da lista tríplice para o mandato 2013-2016 será enviada ao Ministério da Educação (MEC) com os nomes apontados, também, pelos universitários. Ontem os três professores indicados pelo Consun oficializaram suas candidaturas no Liceu. 


Os nomes referendados na última reunião do conselho são os dos professores Mauro Del Pino, Denise Gigante e Gilson Porciúncula. A lista da tríplice será definida mesmo na próxima segunda-feira pois um edital foi aberto disponibilizando espaço para outros candidatos que desejam ter seus nomes na lista. Isso tudo oficializado a partir das 8h30min também no prédio do Liceu, em frente ao Largo Edmar Fetter. Neste dia, os universitários deverão ficar concentrados em frente ao prédio para festejar a democracia com uma programação cultural.

Para o candidato Mauro Del Pino, a expectativa é que haja uma resolução rápida para que possa ser iniciado o processo de transição para que a UFPel não sofra com nenhuma descontinuidade. Segundo ele, apesar de não ser uma decisão absoluta ainda, há uma tranquilidade pelo fato de o Consun ter referendado tais nomes. “Ao mesmo tempo em que se encerra um longo processo de apreensão, se deflagra um novo período de celebração da democracia”, diz Del Pino.


Relembre o caso

No dia 26 de setembro, estudantes, servidores e docentes estiveram em frente ao prédio do Liceu para acompanhar a reunião do Consun para decidir como seria feito o processo de eleição do novo reitor da UFPel. Os manifestantes queriam que fosse respeitado o resultado da Consulta Popular Informal que ocorreu entre os meses de maio e junho, em dois turnos, e que elegeu Mauro Del Pino como novo gestor. Até este dia havia apenas um encaminhamento contra a ideia de referendar o processo que se deu através do voto paritário, ou seja, que dá o mesmo peso para todas as categorias. A maioria dos conselheiros se mostrou a favor de referendar a consulta, deixando para os próximos passos a reunião ocorrida ontem no Liceu.

Conselho Universitário da UFPEL oficializa a lista tríplice


Decisão histórica é tomada em defesa da democracia

A constante luta pela democracia resultou em uma conquista histórica. Em sua sessão extraordinária da última quarta-feira, dia 26 de setembro, o Conselho Universitário da UFPEL tomou uma decisão ímpar na história da universidade. Com 39 votos favoráveis, 21 contrários e 3 abstenções aprovou o RECONHECIMENTO  DO RESULTADO DA CONSULTA INFORMAL À COMUNIDADE UNIVERSITÁRIA, ocorrida entre os meses de maio e junho, para a eleição do Reitor, Vice-reitor e membros da lista tríplice que será enviada ao MEC, referentes ao mandato 2013-2016.

A situação se mostra relevante à medida que se revela um passo significativo na conquista de um regramento institucional estável e contínuo, que seja capaz de garantir as escolhas da universidade e a aprovação de seus mandatários através da participação ampla, livre e comprometida da comunidade acadêmica. Esta luta já se estende há mais de vinte anos e, durante este período, passou por reveses importantes. 

Entretanto, o Conselho Universitário da UFPEL conseguiu demonstrar potencial para contribuir na construção de um elemento que faz parte de uma tradição democrática e permite que visões divergentes possam expressar seus posicionamentos e manter uma harmonia para que a comunidade acadêmica trabalhe ao redor de metas semelhantes.

Tal vitória só aconteceu por três fatores: 1) respeito e comprometimento com a democracia levantados por um número expressivo de conselheiros; 2) mobilização de setores diversos dos três segmentos da universidade (professores, técnico-administrativos e estudantes) na luta pela democracia, consolidada na Consulta Informal à Comunidade. 3) manifestação de atores importantes para comunidade regional que, externamente à UFPEL, exigiram respeito à esta democracia no âmbito da sua universidade.

Agora a universidade deverá acompanhar e celebrar a elaboração da lista tríplice a ser enviada ao MEC em acordo com os preceitos legais e que, de acordo com a determinação da última reunião do Conselho, vai referendar os três nomes votados na Consulta, a saber: os professores Mauro Del Pino, Denise Gigante e Gilson Porciúncula. Assim, um ciclo histórico na UFPEL se realizará, na instituição de uma democracia interna e representada pelo direito de escolha preservado.


Os três professores indicados pelo Conselho Universitário: Denise Gigante, Mauro Del Pino e Gílson Porciúncula


A ADUFPEL, ASUFPEL e o DCE-UFPEL convidam os integrantes da comunidade acadêmica para interromperem por um pequeno tempo as suas atividades e acompanharem a reunião do Conselho Universitário que irá oficializar a lista tríplice. A reunião será realizada no dia 8 de outubro, a partir das 8h30min, no prédio do antigo Liceu Riograndense (em frente ao Mercado Público). Membros da universidade estarão concentrados em frente ao prédio festejando esta conquista com uma intensa e vasta programação cultural. 

Convidamos a todos que prezam a democracia, seja da comunidade acadêmica ou da comunidade pelotense, que venham celebrar a vitória da UFPEL!


Caso necessite de mais informações estarei à disposição pelo número: (53) 00000000 ou xxxxxxx e pelo e-mail assessoriafake@ufpel.net. 

Atenciosamente,





assessoriafake da UFPEL 
Fulano de Blá Blá Blá
(53) 0000-00 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Trabalho na enchente

O que os olhares de fora de quem fez a cobertura da enchente podem falar da experiência

Vinícius Waltzer é estagiário no Diário Popular, jornal impresso de Pelotas. Há poucos dias o estudante fez uma matéria de duas páginas sobre a enchente em alguns locais da cidade. Para ele, esta foi a primeira reportagem de verdade. Para quem está do lado de fora é diferente, e é isso que ele relata da experiência.

"Chegando nos locais onde a água já estava avançando para dentro das casas, foi complicado. Tu, como repórter, queres ir mais perto, ver o que está acontecendo, perguntar sobre danos e até sobre a revolta das pessoas. Tu não te contenta em ver da rua que a água está entrando pela porta. Tu queres ter a visão de dentro da casa", conta.

Waltzer tem dúvidas se isso acontece com jornalistas mais experientes, pois ele nem se preocupava por estar ali molhado da chuva forte. "Na hora parece que tu tens que sentir o mesmo que as pessoas estão passando", diz. A revolta também atinge o estudante que percebe que esse tipo de situação sempre acontece com o lado mais fraco.

"Entramos em uma casa que só tinha um fogão à lenha. A dona estava parada na janela quando eu cheguei e contou que tinham quatro crianças dentro de casa com os pés dentro da água. A casa tinha essa espécie de cozinha e um outro cômodo, acho que era quarto. Mas não tinha mesa, nada. Só o fogão. Não descrevi a casa dela na matéria, mas depois fiquei pensando nisso. Era algo noticiável, mas na hora pensei na foto que achei que poderia sair na capa, e foi mesmo. Acho que a foto disse bastante e talvez se eu descrevesse a casa eu exploraria demais isso", conta. O fato era a enchente, por isso ele optou apenas por deixar que a foto falasse por si. Para o estagiário, esta é a grande diferença entre ir até o local e/ou pegar informações com a Defesa Civil depois.

Vinícius Waltzer durante a cobertura da enchente em Pelotas.
Foto: Paulo Rossi

A enchente foi sem grandes danos, não foi como as anteriores. Mesmo assim, é sempre um transtorno. "Fica sempre aquela questão ética de fazer a matéria ou sair carregando as pessoas para um abrigo, mas acho que fazer a matéria é fazer alguma coisa.  São situações extremas que fazem o repórter se perguntar mais sobre as coisas que está fazendo. E isso é bom", finaliza Waltzer.

Por detrás da lente

Nauro Júnior é repórter fotográfico. Há 13 anos trabalha na sucursal do jornal Zero Hora em Pelotas, responsável pela cobertura dos municípios do sul do estado. Dos seus 40 anos, 20 foram dedicados à fotografia. Não foi a primeira enchente que cobriu, mas as histórias sempre são novas.  Através do blog Retratos da Vida, o fotógrafo compartilha com os leitores um pouco de sua caminhada. Desta vez, contou um pouco sobre a chuva.

Júnior conta que a terça-feira (18) foi um dos dias em que saiu para rua só para ver tristeza. A foto abaixo tem uma história, contada pelo próprio fotógrafo. Veja:


A imagem mostra o pai abrigando os filhos do jeito que consegue.
Foto: Nauro Júnior


"Passei por este cara empurrando o carrinho com dois bebês dentro e outra criança ao lado. Achei legal a imagem, mas estava com pressa e passei reto. Na volta cruzei o cara de novo. Precisava enviar as fotos de alagamentos para Porto Alegre e deixei passar. Quando estava indo para casa almoçar cruzei novamente e resolvi fazer uma foto pois achei que havia ternura na cena. Bati uma, duas, três fotos. Até que o cara se aproximou e perguntou pra que eram aquelas fotos. Eu respondi que usaria no meu blog porque era bonito ver um pai cuidando dos filhos e usando os únicos guarda-chuvas para proteger os rebentos e se expondo a chuva. Perguntei onde estava a mãe. Ele me falou que era pai e mãe. E me contou uma história tão triste que não vou reproduzir", conta. diz. Júnior conta que mesmo com tanta tristeza, o pai não reclamou da vida.


Outra história que aconteceu foi em Cristal, onde um muro de um cemitério desabou e deixou vários túmulos expostos. "Corpos se misturaram ao lodo que escorria por uma ladeira. O senhor Ivo Nacente tentava encontrar os restos mortais da mãe que estava enterrada em um dos túmulos que despencou na ribanceira", lembra. Júnior conta que o filho relatou que quando a dor da perda da mãe estava quase cicatrizando, precisou enterrá-la outra vez. Isso porque usaram materiais de segunda linha para fazer o muro. "Pra botar algum no bolso eles brincam com os sentimentos das pessoas", disse o homem ao fotógrafo. Júnior diz que a frase cortou seu coração.


Homem sofre ao ter que enterrar a mãe novamente devido ao desmoronamento do muro do cemitério que desabou.
Foto: Nauro Júnior



Veja:

Como foi a chuva em Pelotas

Secretaria de Serviços Urbanos de Pelotas se mobiliza para recolher árvores e galhos 


Outras cidades atingidas pelo temporal



domingo, 23 de setembro de 2012

Chuva e ventania afetam diversas regiões do estado

Estado registra 20 municípios em situação de emergência e um óbito


Em Santa Maria, os moradores de três vilas que tiveram suas casas destelhadas receberam lonas da prefeitura. As salas de aula inundadas fizeram com que uma escola dispensasse os alunos. Em Caçapava do Sul, São Gabriel, Rio Pardo e Rosário do Sul cerca de dois mil clientes ficaram sem energia. A região metropolitana de Porto Alegre registrou aproximadamente 1,9 mil casos.







Uma casa foi carregada para dentro do rio Taquari, em Encantado, devido ao
deslizamento ocorrido depois do temporal.
Foto: Juremir Verseti



Algumas cidades que decretaram situação de emergência foram: Arvorezinha, Boa Vista do Cadeado, Bozano, Campina das Missões, Cruz Alta, Espumoso, Giruá, Palmeira das Missões, Panambi, Pejuçara, Porto Lucena, Porto Xavier, Santa Rosa, Santo Augusto, Santo Cristo, São Luiz Gonzaga, São Valério do Sul, Soledade, Tapera e Viamão.
Na cidade de Espumoso, no norte do Rio Grande do Sul,  um empresário de 38 anos morreu enquanto tapava os furos das telhas de um galpão, logo após um temporal de granizo, quando se desequilibrou, caiu e bateu com a cabeça.
Em Porto Lucena, cinco mil dos 5.800 habitantes ficaram desabrigados. A prefeitura informou que mais de 90% do município foi destruído pela chuva de granizo.

Depois da tempestade

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, visitou junto ao sub-chefe da Defesa Civil, Oscar Moiano, três cidades fortemente atingidas pelos temporais do início da semana na região noroeste. O trajeto iniciou pela cidade de Porto Xavier, depois em Porto Lucena e Santa Cristo. De acordo com dados fornecidos pela Defesa Civil, 30 cidades foram muito afetadas, atingindo um total de 103.995 pessoas.

O governo anunciou também que o estado receberá um radar meteorológico para auxiliar na previsão de fenômenos parecidos com os que se observou. O equipamento detecta chuvas, ciclones e até a estiagem. A compra do radar deve ser contemplada pelo Plano Nacional de Gestão de Risco e Resposta a Desastres Naturais, criado pelo governo federal.  

A bonança

Enquanto muitos municípios do Rio Grande do Sul foram altamente prejudicados pela chuva, tivcram os que se beneficiaram com o clima dos últimos dias. Em Bagé a chuva que caiu de sábado (15)  até a terça-feira (18) foi suficiente para que as duas barragens de abastecimento de água fossem completamente recuperadas .De acordo com o Departamento de Água e Esgoto (Daeb), após mais de oito meses em racionamento, finalmente o abastecimento foi normalizado.







A Estação de Tratamento de Água (ETA) de Bagé informou que já haviam registrado 127 milímetros de precipitação em setembro, o que corresponde a quase 80% da média histórica para o mês, que é de 159 milímetros.







Barragem Sanga Rasa, o principal reservatório de água de Bagé.
Foto: Cristiano Lameira


Veja:
 
Chuva e ventania atinge Pelotas

O que pensam aqueles que trabalharam na cobertura da enchente

Chuva e ventania em Pelotas

Árvores derrubadas, casas destelhadas e alagadas foram característica do último temporal na cidade


Depois de dias quentes e abafados em pleno inverno, o Rio Grande do Sul apresentou uma mudança radical no clima, que passou a ser de temporais e ventos fortes desde o dia 15 de setembro. O cenário foi de destruição. Antes mesmo de começar a chuva, a Coordenadoria Regional de Defesa Civil do Estado emitiu um comunicado de orientação à população, pedindo para que se evite transitar por áreas com risco de inundação, como encostas, margens de rios e arroios. A população estava sob aviso, mas não impediu que a chuva intensa e os vendavais estragassem diversos municípios da região.



Imagem mostra a avenida Fernando Osório, em Pelotas, durante um dos dias da forte chuva
Foto: Nauro Júnior

 Para agravar os transtornos, o vento se uniu ao mau tempo e provocou ventos de até 100km/h em alguns locais. Em Pelotas, o domingo (16) iniciou com chuva intensa. Logo no início da manhã já havia raios. Isso tudo durou pelo menos duas horas e resultou em aproximadamente cinco mil pessoas sem luz em toda a região sul do estado. Segundo informações da CEEE, eram pontos isolados e em sua maioria localizados na zona rural dos municípios. O clima permaneceu instável e na quarta-feira (19) Pelotas havia registrado ventos de 45km/h que derrubaram 46 árvores na cidade. Somente no balneário dos Prazeres foram 19 árvores.



Moradores de Pelotas observam a antiga árvore que foi arrancada
pela raiz com o vento e temporal.
Foto: Carlos Queiroz











Apenas um dia depois, a CEEE registrou 28 mil clientes sem energia elétrica em 11 municípios atendidos pela regional da empresa e, no mesmo dia, haviam ainda 1,6 mil ocorrências para atendimento. Eram 60 equipes nas ruas de Pelotas com caminhonetes e doze caminhões atendendo as solicitações dos consumidores. Diversas cidades do Rio Grande do Sul ficaram sem abastecimento elétrico, principalmente na região metropolitana e no centro sul gaúcho. As rajadas mais fortes deste ciclone extratropical foram na cidade de Rio Grande. Os ventos chegaram a 120,7 km/h, de acordo com o levantamento da MetSul meteorologia.

 




O fotógrafo Alberto Blank registrou a praia do Laranjal na quinta-feira do ciclone.
Esta foto foi denominada de "o dia em que a lagoa se foi", pelo próprio autor

Avaliação dos estragos em Pelotas

 Em relatório elaborado pela Defesa Civil, em Pelotas estiveram parcialmente interditadas as pontes do Ribas e do Pevereda, no 3º Distrito, junto com a cabeceira da ponte da Sanga Funda. Depois de analisar o documento, o prefeito de Pelotas, Fetter Júnior concluiu que embora em três dias a chuva tenha alcançado 150 milímetros, os problemas registrados foram localizados e de alagamentos pontuais. Na sexta-feira (21), de acordo com Fetter, as equipes da prefeitura estariam mobilizadas para recuperar os estragos causados pela chuva.
Secretaria de Serviços Urbanos se mobiliza para recolher árvores e galhos em Pelotas





quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Discussões que foram destaques no Intercom 2012

Ciclo África

Palestra debateu a relação das influências midiáticas e a inserção das mulheres na mídia
 


África: Comunicação, fronteiras, diásporas e vozes africanas esteve entre os assuntos debatidos
Foto: Helena Nogueira

 
A palestra Ciclo África 1 foi realizada no segundo dia do evento, na própria Universidade de Fortaleza (Unifor) pela manhã. Mediada pela professora Maria Elias Soares, discutiu elementos que dão conta da influência da mídia e da introdução da mulher nos meios de comunicação.
 
A pesquisadora Maria Inês Amarante apresentou a cronologia da rádio comunitária de Cabo Verde e levantou a necessidade de se pensar nas relações do Brasil com outros países africanos com língua portuguesa. Representando a Universidade de Cabo Verde estavam Manuel Brito Semedo e Tomás José Jane (ESJ - Moçambique) que também ressaltaram a realidade das mulheres na imprensa escrita, que corresponde a 70% do quadro midiático composto por elas. E a tendência é que estes números se tornem cada vez maiores. As dificuldades de manter uma rádio comunitária por falta de patrocínio e pela própria veículações de peças publicitárias, pois elas mesmas encontram-se com dificuldades de se manter.
 
Ciclo África -2
 

Segunda parte do Ciclo África que aconteceu na tarde do dia 4 de setembro.
Foto: Marina Duarte

 
 
Na tarde da mesma terça-feira acontecou o segundo momento do Ciclo África: comunicação, desenvolvimento e cooperação. Desta vez a mediação ficou com o professor Manuel Carlos Chaparro, convidando para compor à mesa Silvino Lopes Evora, da Universidade de Cabo Verde (Uni-CV/Cabo Verde), Maria Érica Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e João Bosco Monte, da Unifor.
 
Silvino Évora apontou a ausência de investigações no jornalismo e falou sobre a ideia perigosa de não ir contra o pensamento de empresas jornalísticas, o que ele chama de 'jornalismo bonzinho' e contou sobre o período de democratização da comunidade africana, que está sendo difícil. João Bosco Monte afirmou que a África nunca esteve tão próxima do Brasil como agora.

 
Conferência de abertura discute tema do evento
 
 
 "Esportes na Idade Midia" foi o tema escolhido para o Intercom 2012. A abertura que aconteceu no Teatro Celina Queiroz, na Unifor e contou com a presença da diretora Científica do Intercom, Raquel Paiva, a diretora do Centro de Ciências Humanas da Unifor, Erotilde Honório e o atropólogo Roberto DaMatta. O auditório estava lotado.
 
Para iniciar a conferência, DaMatta relembrou a origem dos esportes na Grécia Antiga e abordou comportamentos chaves dos principais esportes, como futebol, vôlei, natação e atletismo. Trata-se do espírito de competição e do individualismo presente em tais modalidades esportivas. Para o antropólogo, o esporte redesenha a paisagem urbana. Antes, predominavam nas cidades as grandes igrejas e construções arquitetônicas, hoje o que se vê são as mesmas cidades tomadas de parques esportivos e estádios de futebol.


A abetura foi de bom humor, mas sem deixar de tocar em fatores políticos, sociais, capitalistas e culturais que envolvem os esportes. Roberto DaMatta é um estudioso conhecido por suas contradições, do povo brasileiro e da cultura popular. Escreveu obras como "Carnavais, malandros e heróis" e "O que faz o brasil, Brasil?"



Roberto DaMatta falou com bom humor para um auditório lotado de estudantes.
Foto: Aline Caldas


Política e poética no Cinema são temas de mini curso


"A política e poética no cinema latino-americano" foi o tema da oficina ministrada pelo professor Sebastião Guilhermo Albano da Costa, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). O debate começou com a declaração de que não existia cinema latino-americano, tampouco norte-americano. As diferenças entre o cinema cosmopolita e o cinema globalizados estiveram em pauta, assim como a influência da economia na produção audiovisual e as diferentes maneiras de percebê-la.
 
Foram exibidos trechos de filmes brasileiros, como “O que é isso, companheiro?”, ”Aruanda” e também filmes argentinos, como “Los Rubios”. A partir deles, abriu-se o questionamento sobre com relação ao que estamos sujeitos na comtemporaneidade e a crítica para o cinema atual, “político-apolítico”, que ”respeita a todos e segue bem os direitos humanos, mas não diz muita coisa”, comentou Albano da Costa ao site de notícias do evento.
 
Sebastião Albano da Costa da (UFRN) debateu o cinema latino-americano
Foto: site do Intercom 2012